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Essencial

Calibrando a tabela de avanço

Onde clicar

Ignição → Avanço de Ignição

Não comece de uma tabela em branco

Se essa é a primeira vez que você preenche essa tabela, gere uma base com o Assistente de Ignição antes de editar célula por célula — esse guia aqui é sobre refinar a tabela, não sobre preenchê-la do zero.

A tabela de avanço é o parâmetro mais crítico de toda a calibração — define quantos graus antes do PMS a centelha dispara, pra cada combinação de RPM e carga.

Forma típica da superfície

  • Carga baixa: mistura rarefeita, queima lenta, baixa tendência a detonar → avanço mais alto (30–45° em aspirados).
  • Carga alta: mistura densa, queima rápida, alta tendência a detonar → avanço reduzido (15–25° aspirado, 5–18° turbo).

A superfície precisa ser suave — um salto brusco entre células vizinhas (35° numa célula, 20° na ao lado) causa engasgo e tranco. Use a função de suavização do Manager depois de calibrar.

Antes de começar

  • O motor já dá partida e mantém marcha lenta.
  • A tabela VE já está razoável — não precisa estar perfeita, mas o motor precisa rodar estável.
  • Você tem pistola estroboscópica, sensor de detonação (se disponível) e, idealmente, dinamômetro.

Passo 1 — Tabela inicial conservadora

CondiçãoAvanço inicial
Cargas parciais (aspirado)20–25°
Carga plena (aspirado)15–20°
Carga plena (turbo, 1 bar)8–12°
Carga plena (turbo, 1,5+ bar)5–8°
Comece conservador, sempre

Avanço insuficiente só perde potência — é seguro. Avanço excessivo pode detonar e o dano é irreversível. A potência "perdida" agora você recupera no Passo 2; um motor danificado não tem volta.

Passo 2 — Avanço progressivo com monitoramento

Com o motor em dinamômetro e todos os canais ativos (detonação, AFR, EGT, temperaturas):

  1. Escolha uma faixa (ex.: 3000 RPM em carga plena) e estabilize o motor.
  2. Avance a ignição em passos de 1° (no máximo 2°).
  3. A cada passo, observe: o torque está subindo? Há sinal de detonação? Alguma batida metálica? O EGT está subindo ou caindo?
  4. Continue até o torque parar de subir (MBT) ou o sensor detectar detonação (o limite de detonação) — o que vier primeiro.
  5. Aplique a margem de segurança: subtraia 2° a 4° do limite encontrado.
  6. Repita pra todas as combinações de RPM/carga relevantes.

Passo 3 — Validação com datalogger

Rode passagens completas no dinamômetro gravando o datalog. Confira: nenhum evento de detonação em operação normal, as correções (CLT/IAT/detonação) não estão atuando o tempo todo, temperaturas dentro do limite, curva de torque suave.

Nunca avance "no ouvido"

Detonação em carga e rotação altas pode ser inaudível, mascarada pelo ruído do motor. Quando você ouvir, o dano já pode ter começado. Use sempre sensor de detonação, datalogger e, de preferência, dinamômetro.