Configurando o dwell (tempo de carga da bobina)
Dwell é o tempo, em milissegundos, que a ECU mantém corrente na bobina antes de cortar e gerar a centelha. Ele define a energia da centelha.
- Dwell insuficiente → centelha fraca, risco de falha de ignição.
- Dwell excessivo → bobina esquenta, degrada rápido, pode danificar a saída de ignição da ECU.
Nunca configure dwell muito acima do especificado pelo fabricante da bobina. Bobinas modernas (coil-on-plug) são feitas pra 2,0–4,0 ms — valores de 6–8 ms superaquecem e causam falha prematura. Confira sempre o datasheet da bobina.
Curva base por RPM
Ignição → Hardware de Ignição → Dwell, curva Dwell base
Na maioria dos casos o dwell é constante em toda a faixa de RPM. Exemplo típico: 3,0 ms pra bobinas coil-on-plug modernas. Só vale reduzir em alta rotação acima de 10.000 RPM ou com bobinas de carga lenta.
Correção por tensão da bateria
Ignição → Hardware de Ignição → Dwell, curva Correção de tensão do dwell
Bateria fraca (na partida, ou sem alternador) demora mais pra carregar a bobina — a ECU compensa multiplicando o dwell base:
| Tensão da bateria | Multiplicador |
|---|---|
| 14,0 V (normal) | 1,00 |
| 12,0 V (sem alternador) | 1,10 a 1,15 |
| 10,0 V (partida) | 1,25 a 1,50 |
| 8,0 V (bateria muito fraca) | 1,50 a 1,80 |
Dwell máximo (proteção)
Controlador → Driver MC33810 IGN/INJ, campo Carga bobina máxima (apenas modo pinos IGN)
Se a sua ECU usa o driver MC33810 pra acionar as bobinas, existe o campo Carga bobina máxima (apenas modo pinos IGN): um teto que o dwell nunca ultrapassa, independente do cálculo. Bobinas coil-on-plug: 4,0–5,0 ms. Bobinas mais antigas ou centelha perdida: até 6,0 ms.
Esse teto é específico do driver MC33810 — nem toda configuração de ECU tem esse campo disponível. Se você não achar essa tela, seu hardware não usa esse driver e a proteção é feita de outra forma.
Sem o datasheet da bobina, comece com 2,5–3,0 ms e vá subindo aos poucos, de olho na temperatura da bobina e na qualidade da centelha.
Veja também
- Escolhendo o tipo de bobina e ligando as saídas de ignição
- Configurando o driver MC33810
- Centelhas múltiplas (multispark)
Saiba mais
Leitura opcional — entender por que o dwell precisa mudar com a tensão da bateria ajuda a confiar no valor calculado, mas não muda como você calibra a curva.
Uma bobina de ignição é basicamente um indutor: ela armazena energia como
campo magnético enquanto a corrente sobe, e solta essa energia na vela na
hora que a corrente é cortada. Só que a corrente não sobe instantaneamente
quando a ECU liga a bobina — ela sobe de forma exponencial, numa velocidade
que depende diretamente da tensão aplicada (lei de Ohm/indutância: V = L di/dt, ou seja, corrente sobe mais devagar quanto menor a tensão).
Isso significa que o mesmo tempo de dwell em milissegundos carrega a bobina com energias diferentes, dependendo da tensão da bateria naquele instante:
- Com a bateria em 14V (motor rodando, alternador carregando), a corrente sobe rápido — 3ms já é energia suficiente pra uma centelha forte.
- Na partida, com o motor de arranque puxando bastante corrente, a tensão da bateria pode cair pra 8-10V — nessa tensão mais baixa, a mesma corrente-alvo demora bem mais pra ser atingida. Sem compensação, a bobina sairia da partida "meio carregada", gerando uma centelha mais fraca justamente no momento em que o motor mais precisa de uma ignição confiável (cilindro frio, mistura rica, RPM baixo instável).
Por isso o firmware multiplica o dwell base por um fator que cresce
conforme a tensão cai (dwellMs = baseDwell × correção_por_tensão,
conferido no código-fonte) — a tabela de correção existe exatamente pra
compensar essa física do indutor, não é um ajuste arbitrário. É também por
isso que o teto de dwell máximo (quando disponível, como no driver
MC33810) continua importante mesmo com a correção de tensão ativa: ele
protege a bobina do caso oposto, tensão alta demais somada a uma
correção mal calibrada, que sozinha poderia deixar a corrente subir além
do que a bobina aguenta.